terça-feira, 15 de julho de 2008

A Lição da Borboleta

Em épocas de mudanças e arrumações eu fico sempre me lembrando daquela música do Paralamas..."Eu hoje joguei tanta coisa fora. Eu vi o meu passado passar por mim. Cartas e fotografias, gente que foi embora. A casa fica bem melhor assim...". Tenho uma dificuldade enorme com isso. Sofro até. Me apego muito fácil às coisas. Não pelos objetos em si, mas pelo que eles representam. Meu brinquedo favorito, algum bilhetinho do início do namoro, fotos da família....Parece que estou abrindo mão de um pedaço de mim. E atualmente, tudo parece tão descartável; eletrônicos, roupas, relacionamentos. Hoje vi uma reportagem sobre o Palace II, aquele prédio que desabou no Rio em 1998. (Acredita que já faz 10 anos?). Perguntaram para os moradores qual bem material eles resgatariam se tivessem a chance de voltar aos apartamentos. A maioria respondeu "fotografias". Não posso dizer com certeza, mas acho que faria o mesmo. As fotos são o registro e a ligação com a nossa história. O tempo vai apagando nossas lembranças e nosso maior medo é esquecer. Uma vez, li em algum lugar que se passava a vida abrindo mão das coisas. Abrimos mão da infância pela adolescência, abrimos mão de algo velho por algo mais moderno, etc. Tudo isso nos faz crescer, amadurecer, nos deixa mais leves, mas é preciso estar pronto ou o efeito pode ser o oposto. Desapegar-se de tudo é algo praticamente impossível, mas por trás de toda essa tragédia é preciso enxergar a chance do recomeço. Se a borboleta não abrisse mão do casulo jamais poderia voar.

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