segunda-feira, 21 de julho de 2008

A FÓRMULA DO AMOR

Hoje eu faço 1 ano e 9 meses de casada. Mais 9 anos de namoro/ noivado. Sendo bem antiquada, "ele me completa". Eu sou desorganizada, ele não pode ver nada fora do lugar. Eu sou desenhista, ele pensa em números. Acho que, se fosse alguém exatamente igual a mim, minha vida seria um caos. Conviver comigo mesma já é muito difícil, imagine com outra pessoa. Ainda mais alguém que faz quase tudo diferente. Mas depois de mais de 10 anos junto de uma pessoa, acho que posso falar de amor.
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O amor caiu em desuso, virou peça da coleção passada. As pessoas não querem se comprometer, então não casam, não namoram, nem "ficam" mais (coisas do meu tempo, e olha que eu nem sou tão velha assim). Numa atitude totalmente egoísta, apenas atendem às suas "necessidades básicas". A moda agora é o relacionamento descartável.
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Muita gente não quer nem ouvir falar em casamento. Ficam profundamente ofendidos só com a idéia e dizem que não precisam de um papel para provar o seu amor. Mas, se o amor não depende do papel, que mal faz assiná-lo, então?
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Há quem não queira nem a festa. "Pra que gastar dinheiro com isso?" dizem "Já nos sentimos casados" . Concordo que existe uma indústria por traz da palavrinha: "$casamento$". Não acho necessário gastar uma fortuna, mas sei que tudo se torna astronômico. Os preços, as quantidades, a real necessidade das coisas, o estresse. (Afinal, eu fui uma noiva neurótica).
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O que não sabem aqueles que abrem mão da cerimônia, é que, em meio a todas as caríssimas flores, souplats, lembrancinhas, convites, cerimonialistas, etc. Existe algo que não sei dizer se é na entrada do salão ou na dança dos noivos. Existe um momento mágico que, embora o casamento envolva duas famílias e mil parentes desconhecidos, esse momento sim é simplismente só dos dois.
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É o momento em que se olha no olho do outro e se vê a vida inteira pela frente. Ali, por um segundo, ou menos, o outro é um espelho.
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Existe sim, uma fórmula para fazer dar certo uma união, embora muitos relutem em aplicá-la. Não é algo que depende só de um, é um trabalho em equipe.
É preciso QUERER.
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CEDER. É uma negociação constante. É abrir mão de tudo pelo outro. Mas como ceder o tempo inteiro sem se sentir em desvantagem? Simples! O outro deve ceder o tempo inteiro também. Quando se ama, não é preciso pensar em si mesmo, por que o outro estará pensando em você POR você (se amá-la também). Atualmente, diversas (para não dizer todas) revistas femininas e masculinas pregam que você deve pensar em si mesmo, ter um tempo só para você, etc. Amar é justamente o contrário. Quando você ama, você não se arruma para si mesmo, você se arruma para alguém.
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CONFIAR. Confiança cega de nescença. Não falo só em traição. (E não considero traição sonhar com o Brad Pitt). Falo confiança no cotidiano, saber que pode sair de casa que ele vai alimentar o cachorro. Saber que terá apoio na educação dos filhos, que não será desmoralizada na frente deles. Confiança na hora de cuidar das contas da casa. Saber que o bem estar dos dois, ou da família, vem em primeiro lugar.
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RESPEITAR. Você não pode ter o respeito de uma pessoa que mandou "às favas" com palavras impronunciáveis há 5 minutos. Você não tem o respeito de alguém que abriu mão de tudo e não obteve nem ao menos consideração em troca. Quando o outro deixa de pensar em você, você começa a pensar em si mesmo e aí é que a vaca vai para o brejo, o bolo desanda e o casamento acaba. Alguns casamentos não duram, eu sei, mas funcionaram por algum tempo. Talvez não seja o desfecho ideal, mas pelo menos foi "eterno enquanto durou", como diria Vinícius.
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Ceder, Confiar, Respeitar. Pensar no outro pelo outro. O amor dá um trabalho...Mas será que é tão difícil assim? Antes de mais nada, é preciso QUERER olhar nos olhos do outro, olhar-se no espelho. Se as pessoas não estão preparadas nem para isso, não podem estar preparadas para amar.

1 comentários:

Lau, a noiva disse...

teus textos tão matando a pau!